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Atualização regulatória · Inadmissibilidade por public charge

Public charge: a regra nova e a orientação que o USCIS acabou de publicar

Em 18/08/2026 o USCIS publicou o Policy Alert PA-2026-09 e reescreveu por inteiro a Parte G do Policy Manual. Junto com a regra final de 20/07/2026, que revoga o regulamento de 2022, é o pacote que passa a valer em 18/09/2026. Volta o critério da lei, com ampla discricionariedade do oficial, volta a caução de public charge e o Affidavit of Support deixa de ser presumidamente suficiente. No lado consular, a suspensão de vistos para 75 países, o Brasil entre eles, foi anulada pela Justiça em 21/08/2026.

A regra de 2022 restringia a análise a poucos benefícios em dinheiro. Com a revogação e a orientação nova, o oficial volta a pesar o conjunto da vida financeira e pessoal do imigrante, passa a poder considerar qualquer benefício sujeito a teste de renda recebido a partir de 18/09/2026, e ganha um manual detalhado de como fazer isso.
O conceito

O que é “public charge”?

Public charge é um motivo de inadmissibilidade previsto na lei (INA 212(a)(4)): o governo pode negar o green card a quem for considerado provável de se tornar dependente do Estado. Nem a lei nem a regra nova definem o termo. Quem define, agora, é a orientação do USCIS.

  • A definição de trabalho do USCIS: é public charge quem provavelmente vai depender do governo para suprir necessidades básicas, como moradia, alimentação ou saúde, o que tipicamente se demonstra pela dependência de benefícios sujeitos a teste de renda.
  • “Provável” significa mais provável que não. Não é certeza, é probabilidade acima de cinquenta por cento.
  • A análise é prospectiva e considera a totalidade das circunstâncias: idade, saúde, situação familiar, bens e recursos, educação e habilidades.
  • Nenhum fator isolado decide o caso. A única exceção é a falta de um I-864 suficiente quando ele é exigido: nesse caso o oficial nem chega a fazer a análise de totalidade.
  • O padrão de “primariamente dependente” da regra de 2022 acabou. O USCIS diz expressamente que nem a lei nem os precedentes impõem esse padrão, nem uma lista fechada de benefícios.
Na prática: menos regra fechada, mais julgamento caso a caso. O que você apresenta pesa mais do que antes, e o ônus da prova é sempre do requerente. Ele nunca passa para o USCIS.
Antes de mais nada

Qual regra vale para o seu caso

Existem hoje três regimes convivendo, e quem define qual deles se aplica é a data de protocolo do I-485, não a data da decisão.

Protocolado antes de 23/12/2022
Vale a orientação de campo de 1999 (Interim Field Guidance).
De 23/12/2022 a 17/09/2026
Vale o regulamento de 2022 e a orientação de política que veio com ele. É o regime mais estreito dos três.
A partir de 18/09/2026
Vale a regra final de 2026 e o PA-2026-09, que supera qualquer orientação anterior, inclusive a de 1999.
Por que a data importa tanto O que fixa o regime é o carimbo postal ou o envio eletrônico do I-485. Protocolar antes de 18/09/2026 mantém o caso na régua de 2022, em que só assistência em dinheiro e institucionalização de longo prazo contam, e trava também a pergunta do formulário. O que ele não faz é blindar o uso continuado, e aqui vale entender que são duas portas diferentes. Pelo fator de benefício público da régua de 2022, um Medicaid ou auxílio-alimentação recebido depois não conta, porque aquela definição só alcança dinheiro para manutenção de renda e institucionalização longa. Mas pelo fator financeiro, dentro da totalidade, a dependência continuada pode pesar. A diferença é de peso: sob a régua nova o benefício é item nomeado, que o oficial tem de considerar; sob a de 2022 ele entra sem etiqueta própria, como mais um elemento do conjunto.
Onde seu caso é decidido?

Ajuste, consulado ou isento?

Dentro dos EUA · USCIS. A orientação PA-2026-09 aplica-se a pedidos de I-485 postados ou enviados eletronicamente em 18/09/2026 ou depois. O oficial avalia a totalidade das circunstâncias com base na lei e na orientação, sem o regulamento de 2022. Benefícios recebidos antes de 18/09/2026 são avaliados pela régua de 2022.
Linha do tempo

Como chegamos até aqui

1999Orientação de campo (totality)
2019Regra Trump + DS-5540
Dez 2022Regra Biden em vigor
Nov 2025Proposta + cabo de saúde do DOS
20 Jul 2026Regra final revoga 2022 · 91 FR 45324
18 Ago 2026Orientação do USCIS · PA-2026-09
21 Ago 2026Justiça anula a suspensão dos 75 países
Ponto a ponto

O que muda, na prática

O DHS remove 8 CFR 212.20 a 212.23: a definição, o método de decisão e a lista de isenções regulamentares saem. Nada é colocado no lugar. O DHS disse expressamente que não vai publicar regulamento substituto e que a orientação de política vai “informar, mas não prescrever” o resultado da análise.

Impacto: menos previsibilidade regulamentar e mais peso na discricionariedade do oficial. Como o governo classificou o texto como orientação, e não como regra, ele sustenta que não precisava de comentário público. É por aí que uma eventual contestação judicial deve passar.

O PA-2026-09 substitui a Parte G inteira. Ela passa de doze para treze capítulos, ganha um capítulo novo de “outros fatores relevantes”, três capítulos dedicados a caução de public charge e sete cenários práticos que mostram como o oficial deve decidir.

Impacto: pela primeira vez desde 1999 existe um manual detalhado de como cada fator deve ser pesado. Vale ler os cenários: em dois deles o requerente perde mesmo com I-864 suficiente.

Ele continua obrigatório e continua sendo a única peça capaz de decidir o caso sozinha: sem um I-864 suficiente, quando exigido, o requerente é inadmissível e o oficial nem faz a análise de totalidade.

O que mudou é o outro lado. Um I-864 suficiente deixou de ser presumidamente suficiente. O oficial passa a avaliar a probabilidade de o patrocinador realmente sustentar, olhando a relação dele com o requerente, se moram ou vão morar juntos, se ele já sustentou outros patrocinados, o quanto a renda supera o mínimo legal, se o patrocinador recebe benefícios sujeitos a teste de renda, se pediu isenção de taxa ao USCIS e o histórico financeiro dele, inclusive falência. Para deixar de considerar um I-864 suficiente, o oficial precisa de concordância do supervisor e tem que explicar por quê.

Impacto: patrocinador raspando os 125% virou risco. Escolher bem o patrocinador e documentar a folga de renda passou a fazer diferença real no resultado.

O oficial avalia idade, saúde, situação familiar, bens, recursos e situação financeira, educação e habilidades, mais o Affidavit of Support e qualquer outro fator relevante. É uma previsão, caso a caso. Toda negativa precisa examinar cada um dos fatores e articular as razões, e nenhum fator isolado decide, com a única exceção do I-864.

Impacto: a sua situação é vista por inteiro, não por uma lista fechada de benefícios. Isso corta dos dois lados.

O Capítulo 3 limita a orientação ao I-485. Ela não se aplica a requerentes de admissão em porto de entrada, decididos pelo CBP; nem a vistos de imigrante e de não-imigrante no Departamento de Estado; nem ao ajuste de status decidido pela corte de imigração (EOIR). A regra final, porém, alcança pedidos de admissão a partir de 18/09/2026 e removeu os regulamentos que também orientavam essas agências. Ficou um vazio, e não há orientação pública nova para o CBP.

Dois pontos práticos: residente permanente que passa mais de 180 dias fora dos EUA vira “requerente de admissão” na volta e pode ser submetido a análise de public charge na fronteira. E o public charge não se aplica a extensão de permanência nem a mudança de status de não-imigrante.

Impacto: se o seu caso é consular ou envolve viagem longa, a régua do USCIS é apenas uma referência. Prepare-se para a régua do DOS, que é mais dura.

O capítulo novo manda o oficial considerar disposição e capacidade de trabalhar, com poder de pedir documentos sobre oferta de emprego e salário; o pedido, a aprovação ou o recebimento de isenção de taxa do USCIS, mas só para I-485 protocolados a partir de 24/02/2020, porque antes disso o público não estava avisado; a condição de cuidador principal de criança ou de pessoa idosa, doente ou com deficiência, que pode pesar positivamente e compensar histórico fraco de trabalho ou de estudo; a situação de militares da ativa e de seus cônjuges e filhos, com reconhecimento do sacrifício e da curva salarial de início de carreira; e as razões por trás de recebimento passado de benefícios em casos de vítima de crime ou de violência doméstica.

Impacto: preste atenção na diferença. Isenção pedida (fee waiver) pode ser considerada. Dispensa de taxa (fee exemption) não pode.

Hoje a edição válida é a de 20/01/2025. Uma edição nova, a 051, está em revisão no OMB junto com o I-945 (edição 010) e com os suplementos A e J. As perguntas de public charge ficam na Parte 9, itens 57 a 63: situação familiar, renda, bens, dívidas, educação e habilidades. A pergunta de habilidades muda de redação para “liste as suas habilidades”, com certificações e licenças passando a exemplos. O USCIS confirmou que não coleta no I-485 informação sobre benefícios recebidos por membros do domicílio.

Impacto: confirme a edição exigida antes de protocolar qualquer caso perto de 18/09/2026. Enviar com a edição errada gera rejeição.

Refugiados, asilados, VAWA, U, T, TPS, jovens imigrantes especiais, registro, cubanos, HRIFA, NACARA, ameríndios nascidos no Canadá e as demais categorias isentas por lei seguem fora do public charge. A revogação é regulamentar e não mexe nas isenções da própria lei. O USCIS acrescentou ainda uma cláusula residual: qualquer outra categoria isenta por outra lei.

Impacto: confirme primeiro se a sua categoria é isenta. E, mesmo sendo, confira se o I-864 continua exigido no seu caso.
Os cinco fatores

Como cada fator é pesado agora

Idade

Não decide nada sozinha. Pesa pelo efeito que tem nos outros fatores. Em criança, o que conta são os bens dos pais ou responsáveis. Perto da aposentadoria, o oficial deve examinar os planos de trabalho, a previdência e o patrimônio do domicílio.

Situação familiar

Na prática é o tamanho do domicílio: você, cônjuge, pais, irmãos solteiros menores de 21 e filhos que morem com você, mais quem você declara como dependente no imposto e quem declara você. Quem não mora junto entra pelo lado financeiro, se contribui.

Saúde

O oficial não faz diagnóstico: ele defere ao I-693 do civil surgeon ou ao DS-2054 e DS-7794 do panel physician. Condição Classe A já é inadmissibilidade por saúde. Condição Classe B não torna inadmissível, mas o médico precisa informar a natureza e a extensão, se a pessoa segue capaz de atividade normal inclusive trabalho, se é remediável e se vai exigir cuidado médico extenso ou institucionalização. Renda e bens suficientes para cobrir a necessidade projetada, ou seguro-saúde privado que não seja benefício público, neutralizam a preocupação. Deficiência pode ser considerada dentro do fator saúde, mas o USCIS não pode negar apenas por causa dela, nem presumir que deficiência significa saúde ruim.

Bens, recursos e situação financeira

Renda, bens e dívidas do domicílio. Contam como renda a pensão alimentícia, o Social Security do Título II, aposentadorias públicas, seguro-desemprego e benefício de veterano. Renda que venha de benefício sujeito a teste de renda não pode ser contada a favor, e o mesmo vale para dinheiro de atividade ilegal. Renda de trabalho sem autorização não é excluída aqui, porque isso é outra discussão, a do INA 245(c). A análise não se limita ao que aparece na declaração de imposto, e dívidas com e sem garantia são abatidas dos bens.

Educação e habilidades

Diplomas, certificações, licenças ocupacionais, certificados, habilidades adquiridas no trabalho inclusive voluntário e não remunerado, treinamento, aprendizado profissional e idiomas, incluindo proficiência em inglês. O USCIS diz expressamente que a lei não exige que só a educação formal conte. Para quem tem trajetória prática forte e pouco diploma, isso é uma abertura real.

Benefícios

Quais benefícios contam de verdade

Não há definição na lei nem na regra. O USCIS montou um teste de dois passos: é sujeito a teste de renda quando a elegibilidade depende de a renda ou o patrimônio ficarem abaixo de um limite, e é público quando o pagamento vem de órgão do governo ou de verba pública, em qualquer nível: federal, estadual, tribal, territorial ou local.

Contam

  • Assistência em dinheiro
  • Habitação pública ou subsidiada
  • Ajuda financeira para ensino superior
  • Assistência alimentar
  • Cobertura de saúde custeada pelo governo
  • Qualquer outro benefício semelhante. A lista é aberta.

Não contam

  • Social Security, porque é benefício adquirido por contribuição
  • Medicare, pelo mesmo motivo
  • Seguro-desemprego
  • Cuidado: a definição de means-tested public benefit do 8 CFR 213a.1, usada para o I-864, é outra e não pode ser confundida com esta.

Estadual também conta

A pergunta nova do I-485 fala em means-tested public benefit, sem o qualificador “Federal”. Compare com o I-864, que há décadas trabalha com o termo técnico federal means-tested public benefit, definido a partir do PRWORA, e que exclui programa custeado só pelo estado. São formulários da mesma agência: a ausência do adjetivo em um deles não é descuido de redação.

E a linha divisória nunca foi federal contra estadual. Mesmo sob a regra de 2022, o 8 CFR 212.21(e) definia “governo” como qualquer entidade federal, estadual, tribal, territorial ou local, e a lista de assistência em dinheiro incluía expressamente os programas estaduais e locais de General Assistance. O que limitava o alcance era o tipo de benefício, dinheiro contra espécie, não a fonte do dinheiro. A regra de 2026 derruba o limite de tipo e mantém a definição ampla de governo.

Na prática: um Medicaid estadual, como o Medi-Cal da Califórnia, é sujeito a teste de renda e vem de entidade governamental. Se houve recebimento, a resposta na Parte 9 é sim. Ser custeado com dinheiro do estado não é isenção de declaração. É bom argumento dentro da totalidade das circunstâncias, porque não onerou o orçamento federal, mas argumento não substitui resposta.

Não existe lista fechada

O DHS decidiu expressamente não definir “public charge” nem “public benefits”, ancorando o termo na INA 212(s). Não há lista exaustiva publicada, e o próprio DHS admite que estados e municípios designem programas próprios como sujeitos a teste de renda. As instruções novas do I-485 retiraram as explicações detalhadas que a edição atual trazia e passaram a remeter à orientação online do USCIS. Ou seja: nem exclusão para se abrigar, nem lista onde conferir.

O que significa “receber”

Há recebimento quando você está listado como beneficiário. Benefício que você recebe apenas em nome de terceiro, ou pedido que você faz em nome de outra pessoa, não é recebimento seu. E atenção: pedir, ser certificado ou ser aprovado para receber, mesmo sem chegar a receber, entra na totalidade.

Benefício de familiar: leitura em disputa A régua antiga era clara, benefício de parente não contava. Com a orientação de 18/08 isso ficou em aberto. O ILRC lê que a orientação permite ao adjudicador considerar benefícios sujeitos a teste de renda recebidos por certos familiares, mesmo quando o requerente não recebe nada. Cyrus Mehta lê como relevância indireta, pela via do fator financeiro. Enquanto o texto consolidado da Parte G não sai, trate isso como risco, não como proteção.
Pedido protocolado a partir de 18/09/2026
Vale a orientação nova. Benefício sujeito a teste de renda recebido de 18/09/2026 em diante: qualquer um pode ser considerado.
Pedido pendente, protocolado antes de 18/09/2026
É decidido pela política de 2022. Pelo fator de benefício público, benefício em espécie recebido depois não conta. Mas o USCIS ainda pode pesá-lo pelo fator financeiro, dentro da totalidade, com peso menor do que teria sob a régua nova.
Recebido antes de 18/09/2026
Só assistência pública em dinheiro para manutenção de renda e institucionalização de longo prazo às custas do governo. Histórico antigo de Medicaid ou auxílio-alimentação não vira problema retroativo.
Pedidos e aprovações
Só contam se forem de 18/09/2026 em diante. O oficial não pode considerar pedido, certificação ou aprovação anterior a essa data. Se uma aprovação antiga se estende para depois, a parte posterior conta, salvo prova de desligamento, de desistência ou de aviso à agência.
Como o peso é medido
Quantidade, duração e recência do que foi efetivamente recebido; a natureza e a finalidade do benefício; se a causa do recebimento continua; e prova de desligamento.
Duas armadilhas As exceções do PRWORA, como merenda escolar e programas de nutrição infantil, não criam isenção de public charge: elas só afetam o peso. E benefício recebido enquanto você estava numa categoria isenta, por exemplo como asilado, ainda pode ser considerado, embora a condição de isento seja fato atenuante.
Receber benefício, sozinho, não basta para uma negativa. E quem nunca recebeu nada também pode ser considerado provável public charge. Gravidez não isenta, mas o oficial deve levar em conta que a condição é temporária.
Saúde na análise

E a questão da saúde (diabetes, obesidade)?

Saúde sempre foi um dos fatores da lei. O que mudou é o peso, e mudou em duas frentes: o Policy Manual detalhou como o oficial do USCIS deve tratar o tema, e o cabo do Departamento de Estado do fim de 2025 orientou os oficiais consulares a tratarem certas condições como fator negativo.

  • No USCIS, o oficial não diagnostica. Ele lê o exame médico e usa o que o médico reportou, inclusive sobre condições Classe B: capacidade de atividade normal e de trabalho, se é remediável, e se vai exigir cuidado extenso ou institucionalização.
  • No consulado, condições crônicas como diabetes, doença cardíaca e câncer passam a ser pesadas, pela possível conta médica futura.
  • A obesidade é citada como preocupação, pela associação a custos médicos ou de cuidado de longo prazo.
  • Não há limites numéricos fixos e não é banimento automático: o oficial pesa idade, finanças, seguro e vínculos no conjunto.
  • Evidência de seguro-saúde privado e de recursos próprios é o contrapeso mais forte que existe. O Policy Manual diz isso de forma explícita, desde que o seguro não seja um benefício público.
Ter uma condição de saúde não decide o caso. O que decide é o conjunto, e documentar seguro e capacidade financeira virou essencial. Deficiência, por si só, não pode fundamentar uma negativa.
Peça nova

Public charge bond: a caução voltou

Se o oficial concluir que a única inadmissibilidade é o public charge, ele pode convidar o requerente a depositar uma caução e, com ela, aprovar o ajuste de status. É o instrumento do INA 213, que estava praticamente adormecido. O Policy Manual dedica três capítulos inteiros a ele.

Só por convite, e o convite vem num NOID

Não existe caução espontânea. O USCIS não aceita Formulário I-945 de quem não foi convidado, e o convite é feito dentro de um Notice of Intent to Deny que precisa dizer o motivo da conclusão de public charge, que o USCIS está exercendo discricionariedade a favor, o valor, que o depósito é no I-945 e a data limite pelo carimbo postal. Perder o prazo significa negativa do I-485.

O USCIS parte do “não”

A orientação é deliberadamente restritiva: em regra, quem é inadmissível por public charge não deveria poder depositar caução e ser aprovado, pela política nacional de autossuficiência. Não há convite se o caso seria negado por qualquer outro motivo, inclusive por discricionariedade, e não há convite para quem está recebendo hoje qualquer benefício sujeito a teste de renda, porque isso seria quebra imediata.

O valor

Piso legal de US$ 1.000. O USCIS montou uma tabela com a estimativa do que a pessoa poderia receber em benefícios em cinco anos, e o oficial pode ficar acima ou abaixo dela conforme o caso. Medicaid e SSI puxam para cima, WIC sozinho puxa para baixo, e institucionalização é calculada à parte, estimada em cerca de US$ 109.860 por ano. Valor projetado acima de US$ 100.000 é, por si só, fator negativo de discricionariedade.

US$ 42.000Adulto sozinho ou casado, com filhos
US$ 53.430Adulto sozinho ou casado, sem filhos
US$ 28.200Criança

Como se deposita

Em dinheiro, pelo valor integral, depositado por qualquer pessoa física, inclusive o próprio requerente, ou por empresa, ficando em conta do Tesouro e rendendo juros. Ou por seguradora certificada pelo Tesouro, sem troca de dinheiro, caso em que o agente autorizado vira coobrigado solidário. Sempre no Formulário I-945, e o USCIS só aceita caução de duração ilimitada.

O que é quebra

Para cauções depositadas a partir de 18/09/2026, é quebra receber qualquer benefício sujeito a teste de renda, em qualquer valor, antes da morte, da saída definitiva ou da naturalização, além de qualquer outro descumprimento. Para cauções anteriores vale o critério antigo. Um único benefício já basta para a quebra, ainda que o USCIS reconheça que isso não é o mesmo que ter se tornado public charge. Da declaração de quebra cabe recurso ao AAO, no Formulário I-290B.

Como se cancela

No Formulário I-356, se o requerente morreu, saiu definitivamente dos EUA, naturalizou-se ou completou cinco anos da admissão ou do ajuste, sempre desde que não tenha havido quebra. A regra de 2026 eliminou a hipótese que existia em 2022, de o USCIS cancelar a caução a qualquer tempo ao concluir que a pessoa já não era provável public charge.

E no consulado

Desde 05/08/2026 o Departamento de Estado opera um piloto em que o oficial consular pode exigir caução de public charge de requerente de visto de imigrante, com o valor fixado por ele. O USCIS só aceita o depósito se for notificado pelo consulado.

Leia com calma A caução não é uma saída confortável. Ela é cara, é de duração indefinida, transforma qualquer benefício sujeito a teste de renda em quebra, e o próprio USCIS orienta os oficiais a não oferecê-la na maioria dos casos. Tratar caução como plano B é um erro. O plano A continua sendo montar o caso para não chegar lá.
Atenção · Brasil

A suspensão de vistos caiu. E agora?

Em 21 de agosto de 2026 a Justiça Federal de Nova York anulou a suspensão de vistos de imigrante para nacionais de 75 países, o Brasil entre eles. A medida tinha sido anunciada por cabo diplomático em 14/01/2026 e valia desde 21/01/2026. A sentença formal foi assinada em 24/08/2026.

  • Quem decidiu. Juíza Jeannette A. Vargas, no caso CLINIC et al. v. Rubio et al., nº 1:26-cv-00858, Distrito Sul de Nova York.
  • Por quê. A política discriminava por nacionalidade na emissão de visto de imigrante, o que a lei proíbe (INA 202(a)(1)(A)); mandava recusar sob a INA 221(g) gente que o próprio oficial já tinha considerado elegível, contra o 22 CFR 40.6; e excedia a competência do Secretário de Estado, que pela lei não alcança a decisão do oficial consular de conceder ou negar visto.
  • O alcance é geral. A Corte anulou a política em si, e não apenas para quem processou. Ela enfrentou o argumento do governo baseado em Trump v. CASA e explicou que aquele precedente tratou de liminares universais, não da anulação prevista na lei de processo administrativo.
  • As recusas antigas caem junto. A ordem anula qualquer recusa de visto de imigrante baseada unicamente nessa política e devolve esses casos ao consulado para nova decisão. Recusa que tenha outro fundamento próprio não é atingida.
  • O que a Corte não decidiu. Não houve decisão sobre a 5ª Emenda nem sobre o próprio public charge da INA 212(a)(4). A Corte registrou que o cabo até mandava fazer a análise individualizada: o ilegal era o que vinha depois dela. O processo continua, com pedidos ainda pendentes.
O problema mudou de lugar Cinco dias depois da decisão, em 25 e 26 de agosto, o Departamento de Estado suspendeu o agendamento e as entrevistas de visto de imigrante no mundo inteiro, alegando treinamento dos oficiais em public charge. Essa pausa não se limita aos 75 países e não tem data de retomada anunciada. Em 26/08 os autores entraram com moção emergencial de execução, relatando que o próprio Departamento respondia a requerentes que “a pausa segue em vigor”. Em 28/08 o Departamento atualizou o site reconhecendo que a suspensão dos 75 países não está mais valendo, embora o restante da mesma página siga descrevendo a política no presente.
1. CLINIC v. Rubio
Distrito Sul de Nova York · nº 1:26-cv-00858 · decisão em 21/08/2026 · sentença em 24/08/2026

Julgamento antecipado parcial: dos nove pedidos, três foram julgados. Dois deles a favor dos imigrantes, incluindo a violação da lei de processo administrativo. Um a favor do governo: a Corte entendeu que a política não precisava de consulta pública, por ser norma dirigida aos oficiais consulares. Status: moção emergencial de execução protocolada em 26/08, com o governo se opondo.

2. Ivanov v. Trump
Distrito de Columbia · loteria de diversidade DV-2026

Poucos dias antes da decisão de Nova York, a corte de Washington declarou ilegais as pausas de processamento em relação aos autores nominados e mandou o governo reconsiderar, “na medida do praticável”, os casos recusados apenas por causa delas. O alívio não alcança todos os selecionados. A própria Corte chamou o prazo de 30 de setembro de 2026 de implacável: depois da virada do ano fiscal, quem não recebeu o visto perde a vaga.

3. De Moura Gomes v. Rubio
Distrito de Columbia · decisão de 31/07/2026 · juiz Amit P. Mehta

Foi a primeira decisão de mérito contra a pausa, e saiu de um caso brasileiro: um investidor EB-5 entrevistado no Rio de Janeiro, com câncer terminal. O juiz chegou à mesma conclusão sobre excesso de autoridade, mas o alívio foi só para o autor, com nova decisão em 60 dias. Na prática, ficou absorvida pela anulação de 21/08.

O que ainda não dá para afirmar Até 29/08/2026 não localizamos em fonte pública recurso do governo nem pedido de suspensão da decisão, e não há notícia de a juíza ter decidido a moção de execução. O prazo de apelação para o Segundo Circuito corre e vai até por volta de 23/10/2026. Também não existe orientação pública sobre como as recusas de 221(g) serão reprocessadas: se é automático, se haverá nova entrevista, nova taxa ou prazo.
Não confunda Esta decisão é contra o Departamento de Estado e vale para o processo consular. Ela não atinge a regra final do DHS de 20/07/2026 nem a orientação do USCIS de 18/08/2026, que valem para o ajuste de status e entram em vigor em 18/09/2026. E também não mexe na proibição de segurança de 39 países, em vigor desde 01/01/2026 por proclamação presidencial, na qual o Brasil não está.
Para o brasileiro, a leitura é esta: a barreira por nacionalidade caiu, mas a fila voltou para o começo. Quem foi recusado sob a INA 221(g) entre 21/01/2026 e 21/08/2026 deve guardar o aviso de recusa e os comprovantes do sistema consular e acompanhar o posto de perto, porque a devolução do caso é automática no papel e ainda sem procedimento definido na prática. Quem é DV-2026 não pode esperar.
Checklist

O que fazer agora

  • Se o caso já está pronto, protocole o I-485 antes de 18/09/2026. O regime de 2022 é mais estreito e o que fixa a régua é o carimbo postal ou o envio eletrônico, não a data da decisão.
  • Escolha o patrocinador com cuidado e reúna renda, impostos e documentos dele. Renda raspando os 125% agora é fator de risco, não de conforto.
  • Levante todo benefício sujeito a teste de renda em nome do requerente, inclusive pedidos, certificações e aprovações. Se houve desligamento, guarde a prova.
  • Documente seguro-saúde privado. É o contrapeso mais forte do fator saúde, e o Policy Manual diz isso expressamente.
  • Confirme se a sua categoria é isenta e, mesmo sendo, confira se o I-864 continua exigido no seu caso.
  • Perto de 18/09/2026, confirme a edição do I-485 antes de enviar.
  • Residente permanente que vai passar mais de 180 dias fora dos EUA: leve documentação financeira para a volta.
  • Foi recusado sob a INA 221(g) entre 21/01/2026 e 21/08/2026? Guarde o aviso de recusa e os comprovantes do sistema consular: a anulação devolve o seu caso ao consulado.
  • Selecionado na loteria DV-2026: o prazo de 30/09/2026 não se prorroga. Trate como urgência.
  • Em caso de dúvida sobre benefícios ou histórico, procure orientação jurídica antes de agir. Desligar-se de um benefício, ou não se desligar, muda o caso.

Tem dúvidas sobre o seu caso?

A CV Macedo acompanha essas mudanças de perto e ajuda quem vai ajustar status ou passar pelo consulado a preparar finanças, saúde e patrocínio com estratégia e segurança.

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Este conteúdo é informativo e reflete a regra final publicada em 20 de julho de 2026 (91 FR 45324) e a orientação do USCIS publicada em 18 de agosto de 2026 (PA-2026-09). Não constitui aconselhamento jurídico e pode mudar, inclusive por decisão judicial. Até a data desta atualização, a Parte G publicada no site do USCIS ainda exibia a estrutura de 2022: o texto novo consta do Policy Alert e passa a valer em 18/09/2026. A decisão em CLINIC v. Rubio, de 21/08/2026, não é definitiva: o prazo de recurso corre. Para orientação sobre o seu caso, consulte um advogado.

Fontes oficiais: Alerta do USCIS · Policy Alert PA-2026-09 · Federal Register · USCIS Policy Manual · Caução no DOS · DOS · atualização de 28/08/2026 · CLINIC v. Rubio · ILRC · Texto integral da regra final

Atualizado em 30 de agosto de 2026 · CV Macedo · immigra.us

Regulatory update · Public charge inadmissibility

Public charge: the new rule and the guidance USCIS just issued

On August 18, 2026, USCIS issued Policy Alert PA-2026-09 and rewrote Part G of the Policy Manual in its entirety. Together with the July 20, 2026 final rule rescinding the 2022 regulation, this is the package that takes effect on September 18, 2026. The statutory standard returns, with broad officer discretion, the public charge bond is back, and the Affidavit of Support is no longer presumptively sufficient. On the consular side, the visa suspension covering 75 countries, Brazil among them, was vacated by a federal court on 08/21/2026.

The 2022 rule narrowed the analysis to a few cash benefits. With the rescission and the new guidance, officers again weigh the immigrant's whole financial and personal picture, may consider any means-tested public benefit received on or after September 18, 2026, and now have a detailed manual telling them how to do it.
The concept

What is “public charge”?

Public charge is a ground of inadmissibility in the statute (INA 212(a)(4)): the government may deny a green card to someone deemed likely to become dependent on the state. Neither the statute nor the new rule defines the term. The USCIS guidance now does.

  • The USCIS working definition: a person is a public charge if they are likely to become dependent on the government to meet basic needs, such as shelter, food, or healthcare, typically shown through dependence on means-tested public benefits.
  • “Likely” means more likely than not. Not certainty, but probability above fifty percent.
  • The analysis is forward-looking and weighs the totality of the circumstances: age, health, family status, assets and resources, education and skills.
  • No single factor decides the case. The one exception is the lack of a sufficient Form I-864 where one is required: in that case the officer does not even run the totality analysis.
  • The 2022 “primarily dependent” standard is gone. USCIS states expressly that neither the statute nor the precedent decisions impose that standard or a closed list of benefits.
In practice: fewer bright-line rules, more case-by-case judgment. What you present matters more than before, and the burden of proof is always on the applicant. It never shifts to USCIS.
First things first

Which rule applies to your case

Three regimes now coexist, and what determines which one applies is the I-485 filing date, not the decision date.

Filed before 12/23/2022
The 1999 Interim Field Guidance applies.
12/23/2022 through 09/17/2026
The 2022 regulation and the policy guidance issued with it apply. This is the narrowest of the three.
On or after 09/18/2026
The 2026 final rule and PA-2026-09 apply, superseding all prior guidance, including the 1999 guidance.
Why the date matters this much What fixes the regime is the postmark or the electronic submission of the I-485. Filing before September 18, 2026 keeps the case under the 2022 standard, where only cash assistance and long-term institutionalization count, and it also locks in the form question. What it does not do is shield ongoing use, and it helps to see these as two separate doors. Under the 2022 standard's public benefit factor, Medicaid or food assistance received later does not count, because that definition reaches only cash for income maintenance and long-term institutionalization. But under the financial factor, within the totality, continued reliance can weigh. The difference is weight: under the new standard the benefit is a named item the officer must consider; under the 2022 standard it enters without a label of its own, as one more element of the whole.
Where is your case decided?

Adjustment, consulate, or exempt?

Inside the U.S. · USCIS. PA-2026-09 applies to I-485 applications postmarked or electronically submitted on or after 09/18/2026. The officer weighs the totality of the circumstances under the statute and the guidance, without the 2022 regulation. Benefits received before 09/18/2026 are assessed under the 2022 standard.
Timeline

How we got here

1999Field guidance (totality)
2019Trump rule + DS-5540
Dec 2022Biden rule in effect
Nov 2025Proposal + DOS health cable
Jul 20, 2026Final rule rescinds 2022 · 91 FR 45324
Aug 18, 2026USCIS guidance · PA-2026-09
Aug 21, 2026Court vacates the 75-country ban
Point by point

What changes, in practice

DHS removes 8 CFR 212.20 through 212.23: the definition, the decision framework, and the regulatory list of exemptions are gone. Nothing replaces them. DHS stated expressly that it will not issue a replacement regulation and that the policy guidance will “inform, but not prescribe” the outcome.

Impact: less regulatory predictability and more weight on officer discretion. Because the government classified the text as guidance rather than a rule, it maintains that no public comment was required. That is where a court challenge is most likely to aim.

PA-2026-09 replaces Part G in its entirety. It grows from twelve to thirteen chapters, adds a new chapter on “other relevant factors,” three chapters on public charge bonds, and seven worked scenarios showing how officers should decide.

Impact: for the first time since 1999 there is a detailed manual on how each factor should be weighed. The scenarios are worth reading: in two of them the applicant loses despite a sufficient I-864.

It is still required and still the only piece capable of deciding the case on its own: without a sufficient I-864 where one is required, the applicant is inadmissible and the officer never reaches the totality analysis.

What changed is the other side. A sufficient I-864 is no longer presumptively sufficient. The officer now assesses how likely the sponsor is to actually provide support, looking at the sponsor's relationship to the applicant, whether they live or will live together, whether the sponsor has actually supported prior sponsored immigrants, how far the income exceeds the statutory minimum, whether the sponsor receives means-tested public benefits, whether the sponsor requested a USCIS fee waiver, and the sponsor's financial history, including bankruptcy. To disregard a sufficient I-864, the officer needs supervisory concurrence and must explain why.

Impact: a sponsor scraping the 125% line is now a risk. Choosing the right sponsor and documenting a comfortable margin now changes outcomes.

The officer weighs age, health, family status, assets, resources and financial status, education and skills, plus the Affidavit of Support and any other relevant factor. It is a forward-looking, case-by-case prediction. Every denial must address each factor and articulate the reasons, and no single factor decides, with the sole exception of the I-864.

Impact: your situation is viewed as a whole, not through a closed list of benefits. That cuts both ways.

Chapter 3 limits the guidance to the I-485. It does not apply to applicants for admission at ports of entry, adjudicated by CBP; nor to immigrant and nonimmigrant visas at the Department of State; nor to adjustment of status decided by the immigration court (EOIR). The final rule, however, reaches applications for admission on or after September 18, 2026, and it removed the regulations that also guided those agencies. That leaves a gap, and no new public guidance exists for CBP.

Two practical points: a permanent resident abroad for more than 180 days becomes an “applicant for admission” on return and may face a public charge assessment at the border. And public charge does not apply to nonimmigrant extensions of stay or changes of status.

Impact: if your case is consular or involves long travel, the USCIS ruler is only a reference point. Prepare for the DOS ruler, which is harsher.

The new chapter directs officers to consider willingness and ability to work, with authority to request documentation of job offers and salary; the request, approval, or receipt of a USCIS fee waiver, but only for I-485s filed on or after February 24, 2020, since before that date the public was not on notice; status as a primary caregiver for a child or for an elderly, ill, or disabled household member, which may weigh positively and offset a thin work or education history; active-duty servicemembers and their spouses and children, recognizing both their sacrifice and the early-career pay curve; and the reasons behind past benefit receipt for victims of crime or domestic violence.

Impact: mind the distinction. A requested fee waiver may be considered. A fee exemption may not.

The valid edition today is 01/20/2025. A new edition, 051, is under OMB review together with the I-945 (edition 010) and Supplements A and J. The public charge questions sit in Part 9, Items 57 through 63: family status, income, assets, liabilities, education and skills. The skills question is reworded to “list your skills,” with certifications and licenses becoming examples. USCIS confirmed that it does not collect information on benefits received by household members on the I-485.

Impact: confirm the required edition before filing any case near September 18, 2026. Filing the wrong edition triggers rejection.

Refugees, asylees, VAWA self-petitioners, U and T nonimmigrants, TPS, special immigrant juveniles, registry, Cuban Adjustment Act, HRIFA, NACARA, American Indians born in Canada, and the other statutorily exempt categories remain outside public charge. The rescission is regulatory and does not touch the exemptions in the statute. USCIS also added a residual clause: any other category exempt under any other law.

Impact: confirm first whether your category is exempt. And even if it is, check whether the I-864 is still required in your case.
The five factors

How each factor is weighed now

Age

It decides nothing on its own. It matters through its effect on the other factors. For a child, what counts is the parents' or guardians' assets. Near retirement, the officer is told to scrutinize employment plans, retirement accounts, and household assets.

Family status

In practice this means household size: you, your spouse, parents, unmarried siblings under 21, and children who physically reside with you, plus anyone you claim as a dependent on your tax return and anyone who claims you. Non-cohabiting members enter through the financial factor if they contribute.

Health

The officer does not diagnose: they defer to the civil surgeon's Form I-693 or the panel physician's DS-2054 and DS-7794. A Class A condition is already a health-based inadmissibility. A Class B condition does not render anyone inadmissible, but the physician must report its nature and extent, whether the person remains capable of normal activity including work, whether it is remediable, and whether it will require extensive medical care or institutionalization. Household income and assets sufficient to cover projected needs, or private health insurance that is not a public benefit, offset the concern. Disability may be considered within the health factor, but USCIS may not deny solely because of it, nor presume that disability means poor health.

Assets, resources, and financial status

Household income, assets, and liabilities. Alimony, child support, Title II Social Security, government pensions, unemployment insurance, and veterans' benefits all count as income. Income derived from means-tested public benefits cannot be counted in your favor, and neither can money from illegal activity. Income from unauthorized employment is not excluded here, because that is a separate question under INA 245(c). The analysis is not limited to what appears on a tax return, and secured and unsecured liabilities are netted against assets.

Education and skills

Degrees, certifications, occupational licenses, certificates, skills acquired through work including volunteer and unpaid experience, training, apprenticeships, and language skills, including English proficiency. USCIS states expressly that the statute does not require formal education alone to count. For someone with a strong practical record and few diplomas, that is a real opening.

Benefits

Which benefits actually count

There is no definition in the statute or the rule. USCIS built a two-part test: a benefit is means-tested when eligibility depends on income or assets falling below a threshold, and public when the payment comes from a government agency or appropriated funds, at any level: federal, state, tribal, territorial, or local.

Count

  • Cash assistance
  • Public or assisted housing
  • Financial aid for postsecondary education
  • Food assistance
  • Government-funded health coverage
  • Any other similar benefit. The list is open-ended.

Do not count

  • Social Security, because it is an earned benefit
  • Medicare, for the same reason
  • Unemployment insurance
  • Careful: the 8 CFR 213a.1 definition of means-tested public benefit, used for the I-864, is a different one and must not be confused with this.

State programs count too

The new I-485 question says means-tested public benefit, without the “Federal” qualifier. Compare the I-864, which has used the term of art federal means-tested public benefit for decades, defined through PRWORA, which excludes state-only programs. These are forms from the same agency: the missing adjective in one of them is not a drafting slip.

And the dividing line was never federal versus state. Even under the 2022 rule, 8 CFR 212.21(e) defined “government” as any federal, state, tribal, territorial, or local entity, and the cash-assistance list expressly included state and local General Assistance programs. What limited the reach was the type of benefit, cash versus in-kind, not the source of the money. The 2026 rule drops the type limit and keeps the broad definition of government.

In practice: a state Medicaid program such as California's Medi-Cal is means-tested and comes from a government entity. If it was received, the Part 9 answer is yes. Being state-funded is not an exemption from disclosure. It is a good argument within the totality of the circumstances, since it placed no burden on the federal budget, but an argument does not replace an answer.

There is no closed list

DHS expressly declined to define either “public charge” or “public benefits,” anchoring the term in INA 212(s). No exhaustive list is published, and DHS itself allows states and localities to designate their own programs as means-tested. The new I-485 instructions removed the detailed explanations the current edition carried and now point to USCIS guidance online. So: no exemption to shelter under, and no list to check against.

What “receipt” means

There is receipt when you are listed as a beneficiary. A benefit you receive solely on behalf of a third party, or an application you file for someone else, is not your receipt. And note: applying for, being certified for, or being approved to receive a benefit, even without actually receiving it, enters the totality.

Family members' benefits: a contested reading The old standard was clear, a relative's benefit did not count. The August 18 guidance left this open. ILRC reads it as allowing adjudicators to consider means-tested benefits received by certain family members, even where the applicant receives nothing. Cyrus Mehta reads it as indirect relevance, through the financial factor. Until the consolidated Part G text is published, treat this as a risk, not as protection.
Application filed on or after 09/18/2026
The new guidance governs. Means-tested benefits received on or after 09/18/2026: any and all may be considered.
Pending application filed before 09/18/2026
Decided under the 2022 policy. Under the public benefit factor, in-kind benefits received later do not count. But USCIS may still weigh them under the financial factor, within the totality, with less weight than under the new standard.
Received before 09/18/2026
Only public cash assistance for income maintenance and long-term institutionalization at government expense.
Applications and approvals
These count only from 09/18/2026 forward. The officer may not consider any application, certification, or approval predating that date. If an earlier approval extends past it, the later portion counts, absent evidence of disenrollment, withdrawal, or notice to the agency.
How weight is measured
The amount, duration, and recency of what was actually received; the nature and purpose of the benefit; whether the underlying basis continues; and evidence of disenrollment.
Two traps The PRWORA carve-outs, such as school lunch and child nutrition programs, do not create a public charge exemption; they only affect weight. And benefits received while you were in an exempt category, for example as an asylee, may still be considered, although the exempt status is a mitigating fact.
Receipt alone is not enough for a denial. And someone who never received anything can still be found likely to become a public charge. Pregnancy is not an exemption, but the officer must account for the temporary nature of the condition.
Health in the analysis

What about health (diabetes, obesity)?

Health has always been one of the statutory factors. What changed is the weight, on two fronts: the Policy Manual now spells out how USCIS officers should treat it, and the late-2025 State Department cable directs consular officers to treat certain conditions as a negative factor.

  • At USCIS, the officer does not diagnose. They read the medical exam and use what the physician reported, including on Class B conditions: capacity for normal activity and work, whether it is remediable, and whether it will require extensive care or institutionalization.
  • At the consulate, chronic conditions such as diabetes, heart disease, and cancer are now weighed, tied to possible future medical costs.
  • Obesity is named as a concern, given its link to long-term medical or care costs.
  • There are no fixed numeric thresholds and it is not an automatic ban: the officer weighs age, finances, insurance, and ties as a whole.
  • Evidence of private health insurance and personal resources is the strongest counterweight available. The Policy Manual says so explicitly, provided the insurance is not itself a public benefit.
Having a health condition does not decide the case. The whole picture does, and documenting insurance and financial capacity has become essential. Disability alone cannot support a denial.
Back in play

Public charge bonds are back

If the officer concludes that public charge is the only ground of inadmissibility, they may invite the applicant to post a bond and, with it, approve adjustment of status. This is the INA 213 mechanism, effectively dormant for decades. The Policy Manual devotes three full chapters to it.

By invitation only, and the invitation comes in a NOID

There is no unsolicited bond. USCIS will not accept a Form I-945 from anyone who was not invited, and the invitation is issued inside a Notice of Intent to Deny that must state the public charge finding and its reasons, that USCIS is exercising discretion favorably, the bond amount, that it must be posted on Form I-945, and the postmark due date. Missing the deadline means denial of the I-485.

USCIS starts from “no”

The guidance is deliberately restrictive: as a rule, someone inadmissible on public charge should not be allowed to post a bond and be approved, given the national policy of self-sufficiency. There is no invitation if the case would be denied on any other basis, including discretion, and none for anyone currently receiving any means-tested public benefit, since that would be an immediate breach.

The amount

The statutory floor is $1,000. USCIS built a table estimating what a person could receive in benefits over five years, and officers may go above or below it depending on the case. Medicaid and SSI push upward, WIC alone pushes downward, and institutionalization is calculated separately, estimated at roughly $109,860 per year. A projected amount above $100,000 is itself a negative discretionary factor.

$42,000Single or married adult, with children
$53,430Single or married adult, without children
$28,200Child

How it is posted

In cash, at full face value, posted by any natural person, including the applicant, or by a company, held in a Treasury account and accruing interest. Or through a Treasury-certified surety company, with no cash exchanged, in which case an authorized agent becomes a jointly and severally liable co-obligor. Always on Form I-945, and USCIS accepts only bonds of unlimited duration.

What counts as breach

For bonds posted on or after September 18, 2026, it is a breach to receive any means-tested public benefit, in any amount, before death, permanent departure, or naturalization, along with any other noncompliance. For earlier bonds the old standard governs. A single benefit is enough for breach, even though USCIS acknowledges that is not the same as having become a public charge. A breach determination may be appealed to the AAO on Form I-290B.

How it is cancelled

On Form I-356, if the applicant died, permanently departed the United States, naturalized, or reached the fifth anniversary of admission or adjustment, in each case provided there was no breach. The 2026 rule removed the 2022 provision that let USCIS cancel a bond at any time upon finding the person no longer likely to become a public charge.

And at the consulate

Since August 5, 2026 the State Department has been running a pilot under which consular officers may require an immigrant visa applicant to post a public charge bond, with the amount set by the officer. USCIS accepts the bond only if it receives notification from the consulate.

Read this carefully A bond is not a comfortable exit. It is expensive, indefinite in duration, turns any means-tested benefit into a breach, and USCIS itself instructs officers not to offer it in most cases. Treating a bond as plan B is a mistake. Plan A is still to build the case so you never get there.
Heads up · Brazil

The visa suspension was struck down. What now?

On August 21, 2026, a federal court in New York vacated the suspension of immigrant visa issuance for nationals of 75 countries, Brazil among them. The measure had been announced by diplomatic cable on 01/14/2026 and had been in effect since 01/21/2026. Final judgment was entered on 08/24/2026.

  • Who decided. Judge Jeannette A. Vargas, in CLINIC et al. v. Rubio et al., No. 1:26-cv-00858, Southern District of New York.
  • Why. The policy discriminated by nationality in the issuance of immigrant visas, which the statute forbids (INA 202(a)(1)(A)); it directed refusals under INA 221(g) of applicants the officer had already found eligible, contrary to 22 CFR 40.6; and it exceeded the Secretary of State's authority, which by statute does not reach a consular officer's decision to grant or refuse a visa.
  • The relief is universal. The court vacated the policy itself, not merely as to the plaintiffs. It addressed the government's argument based on Trump v. CASA and explained that the case concerned universal injunctions, not vacatur under the Administrative Procedure Act.
  • Past refusals fall with it. The order vacates any immigrant visa refusal based solely on the policy and remands those cases to the consulate for a new decision. A refusal resting on an independent ground is not affected.
  • What the court did not decide. There was no ruling on the Fifth Amendment or on public charge itself under INA 212(a)(4). The court noted the cable did call for an individualized assessment: what was unlawful came after it. The case continues, with claims still pending.
The obstacle moved Five days after the ruling, on August 25 and 26, the State Department paused immigrant visa scheduling and interviews worldwide, citing officer training on public charge. That pause is not limited to the 75 countries and has no announced restart date. On 08/26 the plaintiffs filed an emergency motion to enforce, reporting that the Department was telling applicants the pause "remains in effect." On 08/28 the Department updated its website acknowledging that the 75-country suspension is no longer in force, although the rest of that same page still describes the policy in the present tense.
1. CLINIC v. Rubio
S.D.N.Y. · No. 1:26-cv-00858 · decided 08/21/2026 · judgment 08/24/2026

Partial summary judgment: of nine claims, three were decided. Two for the immigrants, including the Administrative Procedure Act violation. One for the government: the court held the policy did not require notice and comment, being direction to consular officers. Status: emergency motion to enforce filed 08/26, opposed by the government.

2. Ivanov v. Trump
D.D.C. · DV-2026 diversity lottery

Days before the New York ruling, the Washington court declared the processing pauses unlawful as applied to the named plaintiffs and ordered the government to reconsider, "to the extent practicable," cases refused solely because of them. The relief does not reach every selectee. The court itself called the September 30, 2026 deadline unforgiving: after the fiscal year turns, anyone who has not received the visa loses the slot.

3. De Moura Gomes v. Rubio
D.D.C. · decided 07/31/2026 · Judge Amit P. Mehta

This was the first merits ruling against the pause, and it came out of a Brazilian case: an EB-5 investor interviewed in Rio de Janeiro with terminal cancer. The judge reached the same conclusion on excess of authority, but relief ran only to the plaintiff, with re-adjudication in 60 days. In practice it has been absorbed by the August 21 vacatur.

What cannot yet be stated As of 08/29/2026 we have found no public record of a government appeal or a request to stay the ruling, and no report that the judge has decided the motion to enforce. The appeal window to the Second Circuit is running and closes around 10/23/2026. There is also no public guidance on how the 221(g) refusals will be reprocessed: whether it is automatic, and whether a new interview, a new fee, or a deadline will apply.
Do not conflate these This ruling is against the State Department and governs consular processing. It does not touch the DHS final rule of 07/20/2026 or the USCIS guidance of 08/18/2026, which govern adjustment of status and take effect on 09/18/2026. Nor does it disturb the 39-country security ban in force since 01/01/2026 under a presidential proclamation, which does not include Brazil.
For Brazilians the reading is this: the nationality barrier is gone, but the queue went back to the start. Anyone refused under INA 221(g) between 01/21/2026 and 08/21/2026 should keep the refusal notice and the consular system records and follow the post closely, because the remand is automatic on paper and still without a defined procedure in practice. Anyone in DV-2026 cannot afford to wait.
Checklist

What to do now

  • If the case is ready, file the I-485 before September 18, 2026. The 2022 standard is narrower, and what fixes the ruler is the postmark or the electronic submission, not the decision date.
  • Choose the sponsor carefully and gather their income, taxes, and documents. Income scraping the 125% line is now a risk factor, not a comfort.
  • Map every means-tested public benefit in the applicant's name, including applications, certifications, and approvals. If there was disenrollment, keep the proof.
  • Document private health insurance. It is the strongest counterweight to the health factor, and the Policy Manual says so expressly.
  • Confirm whether your category is exempt and, even if it is, whether an I-864 is still required in your case.
  • Near September 18, 2026, confirm the I-485 edition before filing.
  • Permanent residents planning more than 180 days abroad: carry financial documentation for the return.
  • Refused under INA 221(g) between 01/21/2026 and 08/21/2026? Keep the refusal notice and the consular system records: the vacatur remands your case to the consulate.
  • DV-2026 selectee: the 09/30/2026 deadline does not extend. Treat it as urgent.
  • If you have any doubt about benefits or history, get legal advice before acting. Disenrolling, or not disenrolling, changes the case.

Questions about your case?

CV Macedo follows these changes closely and helps those adjusting status or going through the consulate prepare finances, health, and sponsorship with strategy and security.

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This content is informational and reflects the final rule published on July 20, 2026 (91 FR 45324) and the USCIS guidance issued on August 18, 2026 (PA-2026-09). It is not legal advice and may change, including by court order. As of this update, the Part G published on the USCIS website still displayed the 2022 structure: the new text appears in the Policy Alert and takes effect on September 18, 2026. The August 21, 2026 ruling in CLINIC v. Rubio is not final: the appeal window is open. For guidance on your case, consult an attorney.

Official sources: USCIS alert · Policy Alert PA-2026-09 · Federal Register · USCIS Policy Manual · DOS bonds · DOS update 08/28/2026 · CLINIC v. Rubio · ILRC · Texto integral da regra final

Updated August 30, 2026 · CV Macedo · immigra.us